segunda-feira, 14 de março de 2011

Rashomon e o comportamento humano

Não há como começar esse blog senão falando sobre o fascinante do comportamento humano. Ontem revi Rashomon e me lembrei do que me motivou a ir para economia e não para qualquer outra carreira. O fato de ser uma profissão relativamente eclética e o medo de perder emprego para DJ sendo músico pesaram, mas ser aparentemente a única ciência social com uma teoria geral explicativa razoavelmente aceita foi fundamental. Nada contra antropologia, ciências políticas e as demais¹, mas a capacidade de explicar o homem minimamente bem só vejo na economia depois de Von Neumann e Morgenstern².

Voltando ao assunto original, Rashomon é um grande filme por ilustrar isso. Retrata como é difícil atingir o passado sem viéses se não há uma ciência testada antes. Admito que os historiadores fazem um trabalho maravilhoso ao tentar descobrir o que já aconteceu e sei que, como diria Fabiano Pegurier (professor de ciências políticas do Ibmec), a História é o laboratório favorito dos economistas. No entanto, as inúmeras explicações fornecidas para um mesmo fato histórico mostram que por si só a História não basta. É necessário ter algo coerente com a ação humana para interpretar de maneira decente o que se passou.

Não quero contar o filme, mas basta saber que ocorre um crime e são dadas várias versões para ele, uma feita por cada participante. Nenhuma parece realmente falsa, são todas construídas com uma lógica aceitável. O samurai que se suicida por ter perdido a honra, o bandido que se vangloria por ter derrotado um grande guerreiro e ter feito a esposa dele se entregar, a mulher que mata o marido para não vê-lo sofrer e desprezá-la. Tudo faz sentido dentro de um contexto do Japão feudal, o que muda é o personagem a ser glorificado.

No final, o que provavelmente aconteceu teve um quê de Nelson Rodrigues e, a princípio, é o mais improvável. A mulher causa uma luta passional - um contraponto a realidade técnica dos personagens masculinos³ - o samurai perde por azar e ninguém é honesto. Não se chega a uma conclusão clara por faltar saber como os seres humanos se comportam. Esse foi o motivo para eu ter entrado em economia e me interessar por Teoria da Escolha. Também é o motivo para eu recomendar a todos que estudam o homem assistir Rashomon.

Abraços.

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¹ Até sociologia. Só tenho contra alguns sociólogos.

² Não que eu ache a teoria deles perfeita... se quero estudar isso é porque acho que ainda há muita coisa a ser feita. Entretanto, que eles são sensacionais não nego.

³ Para mim um dos grandes momentos do cinema é essa mudança. Sério.

domingo, 13 de março de 2011

Motivo e Fuga

Nem toda ação tem um motivo específico. Certamente tem um motivo que pesa mais, só que nem sempre é identificável pelo responsável por ela. Talvez seja o caso desse blog. O nome e a descrição são vagos, no entanto não creiam que ele é assim. Há um escopo bem delineado, dentro do possível - o que, se tratando de política, não é. Afinal, existem diversos tipos de política: cultural, econômica, social e outros. A grande questão é que o fiz para falar disso.

Agora que foi dado o motivo para existência, vamos para outras vozes necessárias num primeiro post. O nome é esse porque o blog foi criado, conforme eu disse, de maneira aleatória. Ele tem uma lógica, contudo. A última coisa que me lembro antes de criar o blog foi acreditar que escrevia muito no MSN sobre "assuntos sérios" com meus amigos. Pensei que isso pode virar algo um pouco mais desenvolvido (espero). Convenhamos, não é uma percepção que se tem todo dia. O nome veio daí, de sensibilidade para o cotidiano e banal. Eu indo para Ilha do Governador vi pixado num casebre "coquetel pinguim". Achei engraçado e queria que fosse o nome da minha banda. Como não é, virou o nome do blog.

Outro ponto a ser tratado é o seguinte: não tenho em mente nenhuma corrente ou lógica particular para esse blog. Sou um aluno do terceiro período de economia no Ibmec que gosta de psicologia, matemática, artes e direito. Isso certamente diz algo sobre mim, principalmente que não sou exatamente um especialista em nada ainda. Talvez rock progressivo, mas isso seria presunção minha e não vem ao caso. Em todo caso gosto de escrever e espero que vocês gostem de ler.

Abraços.